[ a todos os que perderam o que jamais se pode encontrar]
É isto o que existe entre mim e a morte.
Essencialmente nada.
Uma sombra. Uma solidão triste e vadia, às vezes feroz.
Gosto de acreditar que me vês.
Nesta solidão. Triste. Vadia. Às vezes feroz.
Nesta solidão que é o medo, que é a fome,
que é a luta de todos aqueles que não sabem por que lutar.
Gosto de acreditar que um dia todos saberemos por que lutar.
Existirás entre mim e a morte?
Entre mim e as coisas que amo?
Entre mim e o medo?
Ou simplesmente entre mim e o frio desta madrugada escura em que me pergunto:
Porque não estás?
Enquanto os punhos se cerram de raiva por uma perda que, por momentos, deixa de ser só minha para ser tua também. Do mundo inteiro.
Isa Mestre
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Fugidios
Os dedos fogem-me do teclado,
Chamam-me ridícula,
Atrapalham-se trôpegos na tarefa de chegar a ti.
Os dedos outrora inertes,
Agora vivos, agora meus,
Nossos.
De toda a gente.
Os dedos que não escrevem,
Mas é como se escrevessem.
Os dedos que não amam,
Mas são sempre tão naturais como quem ama.
Os dedos gastos de mentiras e cinismos profundos,
Os dedos fartos de sorrisos de plástico e corações de esferovite,
Os dedos a dizer,
- Gosto de ti.
Estes mesmos dedos que quiseram ligar-te agora mesmo para dizer:
- Tenho saudades tuas.
(Os dedos ridículos da segunda frase).
Isa Mestre
Chamam-me ridícula,
Atrapalham-se trôpegos na tarefa de chegar a ti.
Os dedos outrora inertes,
Agora vivos, agora meus,
Nossos.
De toda a gente.
Os dedos que não escrevem,
Mas é como se escrevessem.
Os dedos que não amam,
Mas são sempre tão naturais como quem ama.
Os dedos gastos de mentiras e cinismos profundos,
Os dedos fartos de sorrisos de plástico e corações de esferovite,
Os dedos a dizer,
- Gosto de ti.
Estes mesmos dedos que quiseram ligar-te agora mesmo para dizer:
- Tenho saudades tuas.
(Os dedos ridículos da segunda frase).
Isa Mestre
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Pragmática do Silêncio
[Para ti, porque és tu que existes nos meus vazios. tantas e tantas vezes]
Para escrever-te não preciso de quase nada.
Basta-me entender que és essencialmente o vazio.
Entender que, tal como as casas,
Também nós nos vamos construindo.
E os tijolos pesados, tantas vezes.
Os tijolos a ferir-nos as mãos,
Os tijolos a cair nos pés como grilhetas,
Os tijolos como palavras atiradas para o meio do caminho,
Os tijolos. Pesados.
Como as palavras.
Tantas vezes dispensáveis, tantas vezes inúteis.
Como quando apareceste.
As palavras a fugir-me por entre os dedos das mãos,
A deambular na inocência de um olhar que se perde, que se perde sempre.
E da vida, ficam apenas os vazios.
Os espaços onde nenhuma palavra consegue entrar.
Os espaço onde nenhuma palavra poderia entrar.
- Mesmo que quisesse?
- Mesmo que quisesse.
Isa Mestre
Para escrever-te não preciso de quase nada.
Basta-me entender que és essencialmente o vazio.
Entender que, tal como as casas,
Também nós nos vamos construindo.
E os tijolos pesados, tantas vezes.
Os tijolos a ferir-nos as mãos,
Os tijolos a cair nos pés como grilhetas,
Os tijolos como palavras atiradas para o meio do caminho,
Os tijolos. Pesados.
Como as palavras.
Tantas vezes dispensáveis, tantas vezes inúteis.
Como quando apareceste.
As palavras a fugir-me por entre os dedos das mãos,
A deambular na inocência de um olhar que se perde, que se perde sempre.
E da vida, ficam apenas os vazios.
Os espaços onde nenhuma palavra consegue entrar.
Os espaço onde nenhuma palavra poderia entrar.
- Mesmo que quisesse?
- Mesmo que quisesse.
Isa Mestre
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Ad eternum
Queria que este poema fosse para ti.
Mesmo que não o ouvisses,
Mesmo que não pudesses lê-lo,
Mesmo que a escuridão e o medo te fizessem esquecer quem sou.
Queria que este poema fosse para ti.
Mesmo que as palavras estivessem gastas e que os gestos se cansassem de sorrir,
Mesmo que fizesse frio e a solidão te gelasse os sentidos.
Queria que este poema fosse para ti.
Mesmo que eu já não estivesse.
Mesmo que te escrevesse de qualquer outro lugar. Mesmo que te sorrisse. Mesmo que te amasse sem nunca te poder amar.
Isa Mestre
Mesmo que não o ouvisses,
Mesmo que não pudesses lê-lo,
Mesmo que a escuridão e o medo te fizessem esquecer quem sou.
Queria que este poema fosse para ti.
Mesmo que as palavras estivessem gastas e que os gestos se cansassem de sorrir,
Mesmo que fizesse frio e a solidão te gelasse os sentidos.
Queria que este poema fosse para ti.
Mesmo que eu já não estivesse.
Mesmo que te escrevesse de qualquer outro lugar. Mesmo que te sorrisse. Mesmo que te amasse sem nunca te poder amar.
Isa Mestre
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Arrivederci
O silêncio tem destas coisas,
Lembra-nos a morte.
Olhamo-nos ainda sem saber que podemos dizer,
Sem saber ao certo que palavras escaparam à censura do coração.
Dizes-me,
- Vou ter saudades tuas.
Sorrio-te.
Abraçamo-nos.
Nunca nos abraçáramos antes.
Queria dizer-te que me fará falta a tua voz,
A tua teimosia,
A tua ternura e o teu altruísmo.
Não digo nada.
Perco-me na multidão,
Esbato-me nos rostos dos passageiros apressados,
Nos sorrisos a disfarçar lágrimas profundas,
Nos acenos de mão que quiseram tantas vezes ser abraços.
Esbato-me na multidão e esqueço-me que existes,
Que existimos,
Que podemos ainda vir a existir.
Isa Mestre
Lembra-nos a morte.
Olhamo-nos ainda sem saber que podemos dizer,
Sem saber ao certo que palavras escaparam à censura do coração.
Dizes-me,
- Vou ter saudades tuas.
Sorrio-te.
Abraçamo-nos.
Nunca nos abraçáramos antes.
Queria dizer-te que me fará falta a tua voz,
A tua teimosia,
A tua ternura e o teu altruísmo.
Não digo nada.
Perco-me na multidão,
Esbato-me nos rostos dos passageiros apressados,
Nos sorrisos a disfarçar lágrimas profundas,
Nos acenos de mão que quiseram tantas vezes ser abraços.
Esbato-me na multidão e esqueço-me que existes,
Que existimos,
Que podemos ainda vir a existir.
Isa Mestre
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Marcas
Ensinaste-me aquilo que mais amo na vida.
Devo-te isso.
Devo-te a primeira palavra a beijar suavemente o papel,
O primeiro verbo a fazer cócegas na barriga da vida,
O primeiro sorriso e o primeiro verbo em que pude ser eu.
Devo-te todas as coisas que me chegaram ao coração sem destino nem destinatário.
Devo-te um sorriso. Um dia repleto de sorrisos.
Isa Mestre
Devo-te isso.
Devo-te a primeira palavra a beijar suavemente o papel,
O primeiro verbo a fazer cócegas na barriga da vida,
O primeiro sorriso e o primeiro verbo em que pude ser eu.
Devo-te todas as coisas que me chegaram ao coração sem destino nem destinatário.
Devo-te um sorriso. Um dia repleto de sorrisos.
Isa Mestre
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Engano d´alma
Não sei falar de amor,
Disse-te no dia em que te conheci.
Entendo hoje que era tarde demais para falar de amor,
Estava cansada e apetecia-me dormir.
Apetecia-me dormir até me esquecer de quem era,
Até poderes olhar-me e veres mais que as letras que escrevi,
Mais que os parágrafos repletos de mentiras que eu própria inventei,
Mais que as ilusões embrulhadas em adjectivos ridículos e verbos passados.
-Fala-me de ti,
Disseste-me.
Como posso falar-te de mim, tão ridícula e adulterada pelas palavras que escrevo?
Tão pouco minha para além dos parágrafos intermináveis que me consomem…
Desculpa,
Disse-te no fim.
O grande problema é que não te apaixonaste pelo que sou, mas pelo que finjo ser.
A palavra, a mais ridícula de todas, mas mesmo assim, a mais linda.
Amor.
Nunca poderei esquece-la.
Isa Mestre
Disse-te no dia em que te conheci.
Entendo hoje que era tarde demais para falar de amor,
Estava cansada e apetecia-me dormir.
Apetecia-me dormir até me esquecer de quem era,
Até poderes olhar-me e veres mais que as letras que escrevi,
Mais que os parágrafos repletos de mentiras que eu própria inventei,
Mais que as ilusões embrulhadas em adjectivos ridículos e verbos passados.
-Fala-me de ti,
Disseste-me.
Como posso falar-te de mim, tão ridícula e adulterada pelas palavras que escrevo?
Tão pouco minha para além dos parágrafos intermináveis que me consomem…
Desculpa,
Disse-te no fim.
O grande problema é que não te apaixonaste pelo que sou, mas pelo que finjo ser.
A palavra, a mais ridícula de todas, mas mesmo assim, a mais linda.
Amor.
Nunca poderei esquece-la.
Isa Mestre
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